domingo, 29 de abril de 2012

A ROSA E EU

Olho a rosa e não sei o quanto vai durar.
Trato-a como se fosse a filha preferida.
Protejo-a contra o vento e estou sempre a regar
na esperança que possa prolongar sua vida.
 
É uma rosa vermelha, nada parecida
com flores que nasceram em meu jardim linear.
Por enquanto é botão, por isso me convida,
a ficar perto dela, encantado, a cuidar.
 
Mas por mais que lhe tenha todo o amor que exista
dentro do coração, quando ela florescer,
não sei o que fazer para que ela resista.
 
E quando a minha rosa começar a perder
as pétalas rubras, e da vida desista,
eu sei que então também com ela vou morrer

Théo Drummond

sábado, 17 de março de 2012

SARAU

Num tempo de breu
de braços estendidos
dor intensa
a vida soluçou-me
saudade imensa
ecoou-me.
Rígida e fria
qual tampo de mármore.

Poesia bendita
que em rimas suaves
sonho acordou
corpo e alma juntou.

Repara, vê!
Sob seu laço estreito
eu e você
atados num abraço
formamos o infinito
e recebemos a vida
de braços estendidos
soluçando amor.

Clau Assi

sexta-feira, 2 de março de 2012

ATA-ME


De corpo e alma, ata-me,

tronco firme de amor.

Carrega-me,

amarras rubras de sangue,

deslizando juntos,

eternidade afora, ata-me.


Clau Assi

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

NÃO DEVIA


Quando você, de fato, amar alguém,
Que desdenha esse amor e nem parece
Perceber esse amor que você tem,
Que como coisa ruím  a gente esquece,

E o seu amor, que tanta força tem,
Nem percebido seja e se confesse
A cada instante, neste olhar que vem,
Dizer, por tanto amor, quanto padece,

Vai morrer devagar, despercebido,
Como a folha que leva a ventania,
E some, como o amor já não querido,
 
Até que, sem querer, um belo dia,
Você vai se lembrar, arrependido,
Do amor que deixou ir e não devia.

Théo Drummond

sábado, 28 de janeiro de 2012

DE VOLTA AO LAR

Escuta!
Quando o acorde parecer final
e o brilho do sol parecer o último.
É retorno!
Ao lar.
Lá, onde te esperarei com flores na janela.

Clau Assi

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ENTRE RENDAS


Cercado pelo concreto

em luz artificial

o amor explode

e nesse derrame

sentimento maior

transforma o mundo

num caminho

rendado de sol.


Clau Assi

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PRISÃO

Ouço o cão a gemer, no meu vizinho.
É um gemido tão forte e dolorido,
Que deixa perceber que está sozinho
Pois sua companhia é o seu gemido.

O dia inteiro o caso repetido
Me faz pensar que a falta de um carinho,
Que é num gemer assim sempre pedido,
E entra na carne, qual se fosse espinho.

Sofro com ele e penso que este cão
deveria estar livre num jardim,
e não viver jamais nesta prisão.

E o dia corre e o uivo chega a mim
Ficando preso no meu coração,
Como se eu fosse o cão que uivasse assim.

Théo Drummond 
(Do livro Soneto Louco e outras poesias, pág. 53)

sábado, 31 de dezembro de 2011

ANO NOVO

...rompe livre

das mãos divinas

infante asas

céu rasgado

inaugura a era

de um tempo desnudo

em rastro recente

de recomeço

que segue

de mãos dadas

com a esperança...


Clau Assi